quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Fluminense tenta esquecer traumas e se salvar


O Fluminense começou o Brasileirão sonhando com o título da Libertadores. Terminou o primeiro turno com a cabeça no rebaixamento e sem técnico. Renato Gaúcho foi demitido - Cuca já foi contratado - após a derrota para o Ipatinga e a campanha é realmente preocupante. Jogando muitas vezes com sua equipe reserva e atualmente quase sempre desfalcada dos pricipais nomes, o Tricolor conquistou apenas 16 pontos, com quatro vitórias, quatro empates e onze derrotas. Os números são melhores apenas do que os do Ipatinga, e ainda assim apenas por conta do saldo de gols.

Nas primeiras rodadas, apenas reservas e juniores. Do time titular, só Fernando Henrique jogava. A derrota na final da Libertadores acabou com o sonho do título inédito e refletiu no Brasileirão. O primeiro triunfo veio apenas na 10ª rodada, diante do Atlético Paranaense, por 3 a 0, no Maracanã. Nas três rodadas seguintes, mais duas vitórias e um sopro de esperança.

O problema, então, passaram a ser os desfalques. A equipe vice-campeã da Libertadores foi sendo desfeita aos poucos. Cícero e Gabriel foram negociados. Thiago Silva e Thiago Neves seguiram para Pequim com a Seleção Brasileira. Isso sem contar com as constantes suspensões (Tartá, Washington, Luiz Alberto, Junior Cesar, Conca...) e lesões (Fernando Henrique e Arouca).

A equipe, sempre temida em casa, acabou perdendo duas partidas seguidas no Maracanã, para Cruzeiro e Internacional. Fora do Rio, nenhuma vitória. Para piorar, Dodô pediu afastamento do grupo para aprimorar sua forma física e técnica. A vitória sobre o São Paulo, na penúltima rodada do turno, deixou o Flu até com a possibilidade de sair da zona. Mas a derrota de virada para o Ipatinga decretou um fim melancólico nesta primeira parte do Campeonato Brasileiro: zona de rebaixamento há 17 rodadas e muitas coisas para serem acertadas antes que seja tarde demais.

- O Fluminense sentiu muito a perda da Libertadores e ainda continua meio abalado. É preciso esquecer isso. A competição acabou e o time pode sair da zona do rebaixamento - explicou Roberto Assaf, colunista do LANCENET! e do LANCE!.

Quem chegou: laterais Uendel e Eduardo Ratinho; atacante Éverton Santos

Quem saiu: lateral Gabriel; volante Cícero; técnico Renato Gaúcho

Estréia : 0 x 0 Atlético-MG, Mineirão, 10 de maio.
Fernando Henrique, Carlinhos, Anderson, Sandro e Dieguinho; Fabinho, Arouca (Léo), Romeu e David (Fernando); Tartá (Marinho) e Alan. Técnico: Renato Gaúcho.

Último jogo: 1 x 2 Ipatinga, Ipatingão, 10 de agosto
Fernando Henrique, Carlinhos, Anderson, Roger e Junior Cesar; Fabinho, Romeu (Alan), Conca e Tartá (Éverton Santos); Somália (Maurício) e Washington. Técnico: Renato Gaúcho.

O QUE ACHAM OS ESPECIALISTAS

Roberto Assaf
O Fluminense fez uma grande bobagem escalando um time de garotos no início do Brasileiro. Isso quebrou o time em todos os sentidos. Se estivesse com os titulares desde o início, acredito que o Flu estaria entre os primeiros agora. Talvez não lutando pelo título, mas na zona da Libertadores com certeza. Mas o elenco é bom e tem totais condições de sair dessa posição incômoda na tabela.

Carlos Alberto Vieira
O Flu é a decepção do ano. Ao priorizar a Libertadores, Renato escalou reservas nas primeiras rodadas e, num torneio equilibrado, ocorreu o óbvio: ficou muito atrás. Quando os titulares entraram, mostraram futebol abaixo do esperado, tanto por causa da decepção com o fracasso na final sul-americana quanto por causa da pressão de precisar fazer uma campanha excepcional para sair da lanterna. Para completar, o time na verdade só contava com 15 jogadores que Renato julgava confiáveis (os 11 titulares, Tartá, Roger, Maurício e Dodô). Ele perdeu Gabriel e Cícero; os Thiagos foram para a Seleção; Ygor caiu em desgraça. Logo, o Flu de hoje não tem peça de reposição. Caso não contrate quatro reforços razoáveis e não segure os Thiagos, é candidato ao rebaixamento.

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