
Os jogadores do Santos são unânimes em afirmar que está mais fácil jogar neste segundo turno. Todos, até aqueles que foram trazidos pelo técnico Cuca, admitem que não conseguiam colocar em prática as orientações do ex-comandante, hoje no Fluminense. No próximo domingo, às 18h10m (horário de Brasília), o Peixe recebe o Tricolor e Cuca voltará à Vila Belmiro e reecontrará a equipe fora da zona de rebaixamento, com jogadores mais animados e jogando num esquema mais cauteloso e simples.
O atual comandante do Flu foi contratado pelo Santos para substituir Emerson Leão. Ex-jogador do Peixe, que tinha acabado de fazer um bom trabalho no Botafogo, Cuca era visto como a solução. No entanto, em 14 jogos sob seu comando, o Peixe foi derrotado sete vezes, empatou quatro e venceu apenas três.
Por isso, Cuca não deixou muitas saudades na Vila Belmiro.
- Ele treinava três formações diferentes durante a semana e no jogo usava uma outra - comenta o meia Molina.
O zagueiro Fabiano Eller, por sua vez, é mais político. Ainda assim, afirma que Cuca pecou ao insistir em improvisações e ao demorar para perceber que o Peixe não tem atletas polivalentes.
- Às vezes, ele queria improvisar, colocando jogador de meio-campo na lateral. O problema é que a gente não tem jogadores no elenco para fazer o que ele queria - comenta.
Com Márcio Fernandes, a situação é outra. Em vez de improvisar, o treinador, que assumiu o comando no lugar de Cuca na virada do turno, optou por um esquema bem mais simples e até cauteloso: um 4-4-2 com três volantes. A equipe ficou mais sólida na defesa (não sofre gols há três partidas) e está invicta no returno: duas vitórias e dois empates. Se o Brasileirão tivesse começado quando Fernandes foi efetivado, o Peixe seria o quarto colocado.
- Agora, todos estão conscientes de que cada um tem uma função a cumprir. Cada um em sua posição - comenta Eller.
CUCA: 14 JOGOS, TRÊS FORMAÇÕES DIFERENTES
Cuca assumiu o comando do Peixe na quinta rodada, quando a equipe perdeu por 1 a 0 para o Vitória. Naquele jogo, optou por escalar o time no 4-4-2, com dois meias (Rodrigo Tabata e Molina). No jogo seguinte, contra o Fluminense, mudou para o 3-5-2. Contra o Goiás, em seguida, voltou ao 4-4-2.
Contra Atlético-PR, Grêmio e Botafogo, Cuca buscou ousar e montou um time bem ofensivo, num 4-3-3, com Tiago Luís, Maikon e Lima (ou Kléber Pereira), formando trio ofensivo. Perdeu para o Furacão e empatou com Tricolor e Bota, ambos na Vila.
Os jogadores santistas afirmam que tantas variações confundiam a equipe.
- O ideal sempre é formar um esquema que seja melhor para todos e trabalhar com ele - explica Eller.
FEIJÃO COM ARROZ. SEM SALADA
Márcio Fernandes faz questão de fugir de polêmica e elogia Cuca. O atual treinador santista evita fazer comparações entre o seu trabalho e o do antecessor. Ao explicar as mudanças na equipe com a sua chegada, o treinador, que comandou o time sub-20 do Peixe durante sete anos, diz que busca fazer o simples. Mesmo quando tem jogadores suspensos ou machucados, Fernandes não mexe no esquema e faz as trocas normais, sem mexer na estrutura. Opta pelo óbvio e está se dando bem.
- Eu procuro formar um time compacto, num esquema simples. Sem fazer salada, sem complicar muito - comenta Fernandes.

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